Imagem: Fernando Frazão
A criminalidade e a violência urbana seguem consolidadas como o principal fantasma do cotidiano da população brasileira. É o que revela a nova edição da pesquisa internacional What Worries the World (O que Preocupa o Mundo), realizada pelo instituto Ipsos. De acordo com o levantamento correspondente ao mês de junho de 2026, 47% dos entrevistados apontaram a falta de segurança pública como o maior gargalo enfrentado pelo país atualmente.
O indicador atual mantém o mesmo patamar crítico registrado no mês de maio. No entanto, quando comparado ao mesmo período de 2025, o sentimento de vulnerabilidade deu um salto alarmante de sete pontos percentuais. Essa percepção é respaldada pela realidade das ruas: dados de um levantamento do Datafolha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que 40,1% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam ter sido vítimas diretas de algum tipo de crime ou violência nos últimos 12 meses.
Corrupção volta a assombrar e fecha o topo da lista
Além do medo da violência, os escândalos políticos e administrativos fizeram a preocupação com a corrupção financeira e política voltar a crescer no país, aproximando-se dos patamares mais elevados monitorados recentemente. Citada por 39% dos participantes, a corrupção é a segunda maior inquietação nacional, registrando uma alta de dois pontos percentuais tanto na comparação mensal quanto na anual.
Especialistas da Ipsos avaliam que o índice reflete a sensibilidade do brasileiro diante da qualidade das instituições públicas e da capacidade de resposta do Estado. O cenário recente foi fortemente pautado por debates de governança, incluindo desdobramentos de investigações envolvendo o uso de recursos federais e transações financeiras ligadas a instituições bancárias.
Ranking: As 5 maiores preocupações no Brasil
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1º Lugar: Crime e violência (47%)
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2º Lugar: Corrupção financeira e política (39%)
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3º Lugar: Pobreza e desigualdade social
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4º Lugar: Saúde e assistência médica
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5º Lugar: Impostos e carga tributária
Otimismo nacional supera a média global, mas maioria desaprova rumos
Apesar das queixas estruturais, o levantamento trouxe um dado curioso sobre a perspectiva de futuro: 42% dos entrevistados acreditam que o Brasil está caminhando na direção certa. O número representa uma oscilação positiva de três pontos percentuais em relação a maio e cinco pontos acima de junho do ano passado.
Com isso, o otimismo do brasileiro supera a média mundial, onde apenas 38% das pessoas aprovam os rumos de suas respectivas nações. Apesar do avanço frente aos meses anteriores, a linha pessimista ainda dita o ritmo no país, já que a maioria absoluta (58%) avalia que o Brasil se encontra no rumo errado.
Raio-x Internacional: Inflação nos EUA e desemprego na Argentina
O cenário global mantem-se estável, tendo como principais dores de cabeça o crime (32%), a inflação (32%), o desemprego (29%) e a pobreza (29%). Contudo, análises regionalizadas expõem realidades bem distintas:
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Estados Unidos: A inflação continua sendo o principal vilão, atingindo 45% de menções. No entanto, o dado que mais surpreendeu as autoridades foi a disparada do medo do extremismo político, que saltou nove pontos em apenas um mês e atingiu 23% dos norte-americanos, reflexo da intensa polarização e de disputas ideológicas no país. Apenas 28% acham que os EUA estão no caminho certo.
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Argentina: Os reflexos das reformas econômicas promovidas pelo governo de Javier Milei continuam desenhando as prioridades da população. O desemprego lidera isolado com 57%, seguido pela pobreza (42%) e inflação (39%). Por outro lado, o medo da criminalidade despencou dez pontos percentuais na comparação anual, caindo para 35%. A percepção de que a Argentina está no rumo certo subiu para 43%, sinalizando uma recuperação gradual da confiança na economia.
Notas Metodológicas da Pesquisa
O levantamento internacional foi realizado por meio da plataforma online Global Advisor, entre os dias 22 de maio e 5 de junho de 2026, ouvindo 23.534 adultos em 30 países. No Brasil, foram entrevistadas cerca de mil pessoas com idades entre 16 e 74 anos.
A Ipsos pondera que, por ser realizada de forma digital, a amostra brasileira concentra moradores de áreas urbanas, com maior escolaridade e maior poder aquisitivo que a média geral do país, representando o grupo economicamente conectado. A margem de erro estimada para os dados do Brasil é de aproximadamente 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Via: CNN Brasil
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