Imagem: Ministério do Desenvolvimento Social
A agricultura mundial enfrenta uma combinação de riscos sem precedentes: a escassez de fertilizantes aliada à ameaça do fenômeno climático El Niño sobre a produção de alimentos. Instituições como o Centro de Previsão Climática dos EUA, o J.P. Morgan, a FAO e o Banco Mundial apontam que o impacto conjunto desses fatores pode reduzir a oferta global e pressionar os preços das commodities.
A crise dos fertilizantes, agravada por conflitos no Oriente Médio e interrupções nas rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz, atinge o setor antes mesmo do plantio. Paralelamente, projeções indicam mais de 90% de probabilidade de um El Niño de forte intensidade entre o outono e o inverno de 2026/2027, com 69% de chance de atingir níveis históricos.
Impactos por culturas e regiões
O fenômeno altera o regime de chuvas e temperaturas de maneira desproporcional entre as diferentes regiões e culturas agrícolas:
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Cacau: A produção na África Ocidental (Costa do Marfim e Gana) e no Equador sofre com o excesso de chuvas e oscilações extremas de temperatura, fatores que já fizeram as cotações atingirem marcas históricas;
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Café: A secagem e o calor intenso afetam as lavouras de café robusta no Vietnã e na Indonésia. No Brasil, principal produtor de arábica, os riscos concentram-se na redução de chuvas no quarto trimestre, o que pode comprometer as safras futuras;
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Açúcar: O período de monções fraco na Índia e na Tailândia tende a reduzir a oferta nesses países. Em contrapartida, as chuvas no Sul do Brasil podem favorecer o desenvolvimento da cana no médio prazo;
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Arroz e Grãos: O Banco Mundial alerta para a possibilidade de reduções de 20% a 50% na produção de arroz em regiões vulneráveis do Sul e Leste da Ásia e África Austral.
Efeitos econômicos e segurança alimentar
A menor aplicação de insumos à base de amônia, ureia, fosfato e enxofre deve refletir nas colheitas em um intervalo de seis a nove meses. O J.P. Morgan destaca que os preços das commodities agrícolas costumam responder com atraso aos efeitos climáticos, indicando que o impacto sobre a inflação e a segurança alimentar pode se intensificar nos meses seguintes.
Países como Brasil e Índia registram sobreposição de vulnerabilidades, pois dependem de insumos importados do Golfo Pérsico ao mesmo tempo em que sofrem com as alterações do clima. Caso produtores globais adotem restrições de exportação para proteger seus mercados internos, a escalada dos preços no varejo tende a se agravar.
Via: CNN Brasil
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