Brasil ainda registra mais de 1,3 mil mortes maternas por ano; exames preventivos são a chave para reverter índices

Brasil ainda registra mais de 1,3 mil mortes maternas por ano; exames preventivos são a chave para reverter índices

Imagem:  Jas/Pixabay

 

O Brasil enfrenta o desafio contínuo de conter os índices de mortalidade durante a gestação ou no período de até 42 dias após o parto. Segundo os dados oficiais mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), o país registrou a marca de 56,4 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos, o que resultou em 1.347 óbitos. O objetivo nacional estipulado é reduzir esse indicador para 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até o ano de 2030.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), cerca de 90% dessas mortes são perfeitamente evitáveis. Para conscientizar a população e fortalecer os direitos das gestantes e puérperas, celebra-se neste dia 28 de maio o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Especialistas reforçam que a realização de um pré-natal qualificado e precoce é a ferramenta mais eficaz para garantir um desfecho favorável tanto para a mãe quanto para o bebê.

Principais Causas e a Importância da Multidisciplinaridade

As estatísticas revelam que as causas obstétricas diretas respondem por 66% dos óbitos maternos em território nacional. O monitoramento rigoroso em unidades de saúde busca combater diretamente os quatro principais fatores de risco:

  • Síndromes hipertensivas e quadros hemorrágicos graves;

  • Infecções puerperais após o procedimento do parto;

  • Complicações decorrentes de abortos sem assistência adequada.

Para mitigar esses riscos, defende-se a atuação de equipes multidisciplinares integradas. Experiências positivas no Sistema Único de Saúde (SUS) demonstram que a autonomia compartilhada com enfermeiros obstétricos — respaldados pela Lei Federal nº 7.498/1986 — eleva substancialmente a capacidade de atendimento em municípios de pequeno e médio porte, garantindo a realização de partos de baixo risco com segurança máxima e taxa zero de letalidade.

Atenção no Puerpério e Cuidados com a Saúde Mental

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta que o cuidado não termina com o nascimento da criança. O período pós-parto, conhecido como puerpério, exige vigilância constante da família e dos serviços de saúde. Complicações graves podem se manifestar de forma tardia, e sinais como sangramentos incomuns, febre, falta de ar, dores de cabeça intensas e picos de pressão alta requerem avaliação médica imediata, idealmente em uma consulta de retorno entre o 7º e o 10º dia pós-parto.

Além dos fatores clínicos e físicos, a saúde mental das puérperas deve receber atenção prioritária. Quadros de sofrimento psíquico, ansiedade extrema, exaustão ou dificuldades severas de vínculo com o recém-nascido precisam ser diagnosticados precocemente para evitar agravamentos e garantir o bem-estar integral da mulher.

Rede Alyne e a Regulamentação da Assistência Materna

No âmbito das políticas públicas federais, o Governo instituiu a Rede Alyne — um programa de reestruturação com a meta de reduzir a mortalidade materna geral em 25% e a mortalidade de mulheres pretas em 50%. A iniciativa promove o cuidado humanizado, combatendo as desigualdades étnico-raciais e regionais no atendimento público.

Órgãos de regulação, o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais desempenham funções fundamentais no licenciamento de maternidades, monitoramento de indicadores sociodemográficos e fiscalização de protocolos assistenciais. Esse trabalho de vigilância técnica e sanitária é essencial para padronizar os serviços de saúde, assegurando que o atendimento às gestantes ocorra com credibilidade institucional e transparência, protegendo a vida das famílias paranaenses e garantindo que os direitos reprodutivos avancem com rigor e eficiência em todo o território nacional.

Via: Agência Brasil

 

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