Imagem: Lucas Pinheiro
Com a bola rolando nos gramados dos Estados Unidos, Canadá e México, outra disputa acirrada acontece fora deles. O torcedor que tem como meta completar o tradicional álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 vai precisar preparar o bolso. Como esta é a maior edição de todos os tempos, contando com 48 seleções (contra 32 das edições anteriores), o número total de cromos disparou para mais de 980 imagens, tornando-se a maior coleção já lançada na história da editora Panini.
Para os colecionadores, o gigantismo do torneio se traduz em mais páginas e um custo financeiro bem mais salgado. No Brasil, o valor estimado para completar o livro ilustrado pode ultrapassar a barreira dos R$ 7,3 mil caso o torcedor opte pelo "isolamento", ou seja, tentar preencher todas as vagas dependendo exclusivamente da sorte e comprando envelopes nas bancas, sem realizar trocas. Atualmente, cada pacote com sete figurinhas é comercializado pelo valor de R$ 7.
O caminho da economia: A força do "um por um"
Para quem quer fugir do prejuízo, o mercado informal e os pontos de encontro tornam-se paradas obrigatórias. Ao se juntar com amigos, familiares ou frequentar as tradicionais praças e bancas de troca para negociar as repetidas no formato de "um por um", o custo final para fechar o álbum pode despencar em até 80%, fazendo o gasto total oscilar entre R$ 1.200 e R$ 1.700.
No cenário dos sonhos — em um mundo matematicamente perfeito onde o colecionador comprasse 140 pacotes e não tirasse absolutamente nenhuma figurinha repetida —, o gasto mínimo seria de R$ 1.004,90, somando os R$ 980 dos envelopes necessários aos R$ 24,90 do livro brochura padrão.
Caça aos cromos raros: Série Legends inflaciona o mercado
O alto custo desta edição ganhou um ingrediente extra com as chamadas figurinhas raras. Além da coleção principal, a editora distribuiu de forma aleatória 68 cromos especiais da série Legends (Lendas). Trata-se de versões exclusivas dos principais atletas do planeta divididas em quatro níveis de raridade: bordeaux, bronze, prata e dourada.
A versão dourada é o maior tesouro dos colecionadores: segundo a fabricante, a probabilidade de encontrar uma delas é de apenas uma a cada 1.900 pacotes. Os itens mais cobiçados envolvem astros como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Kylian Mbappé, o jovem espanhol Lamine Yamal e o brasileiro Vinicius Júnior. Em plataformas digitais de compra e venda, há figurinhas douradas sendo comercializadas por valores que ultrapassam os R$ 500.
“[Nos pontos de troca] só ficou o pessoal mais desesperado para conseguir trocar essas figurinhas e muita gente querendo pagar valores altos. Tem um pessoal gastando realmente muito dinheiro”, relatou o estudante de Engenharia Guilherme Ferreira, em entrevista à Rádio da UFRJ.
Os "vácuos" da Panini: Lesões mudam as páginas do álbum
Outro fator que sempre chama a atenção dos colecionadores é o descompasso entre os atletas retratados no papel e os atletas de fato convocados pelos treinadores. Como o álbum foi lançado globalmente em maio, a linha de produção gráfica começou meses antes de saírem as listas oficiais da Fifa.
No caso da Seleção Brasileira, jogadores como Rodrygo, Éder Militão e Estêvão ganharam espaço garantido no álbum, mas acabaram cortados ou não convocados pelo técnico Carlo Ancelotti devido a lesões. Por outro lado, a ausência mais emblemática foi a do camisa 10 Neymar Júnior, que não foi incluído na versão inicial impressa pela editora devido às incertezas que cercavam sua recuperação física na época da diagramação.
Mais que um gasto, uma memória de família
Apesar dos valores elevados, muitos torcedores enxergam a atividade não como um prejuízo financeiro, mas como um investimento na construção de laços afetivos. É o caso do engenheiro Lucas Antonio Pinheiro, morador que ficou noivo um mês antes da abertura da Copa do Mundo e encontrou na coleção uma forma de celebrar a nova fase da vida ao lado da companheira, Paula.
| Dados da Coleção do Lucas | Indicadores |
| Progresso atual | Cerca de 50% concluído |
| Investimento até o momento | Em torno de R$ 800 |
| Principal objetivo | Construção de memória afetiva |
“O que mais nos encanta é o ambiente que a Copa proporciona. Nas trocas, é comum ver pessoas de diferentes gerações reunidas em uma mesma mesa: crianças de 6 e 10 anos, jovens de 26 e adultos de 40 anos ou mais, todos compartilhando a mesma paixão. É uma experiência muito especial. Além disso, esta será a nossa primeira Copa do Mundo colecionando juntos, algo que certamente ficará marcado na nossa memória. E, claro, seguimos na torcida e cheios de esperança pelo tão sonhado hexa”, concluiu o engenheiro.
Via: Agência Brasil
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