Pesquisa da CNI revela que salário e estabilidade são os fatores mais valorizados pelos trabalhadores brasileiros

Pesquisa da CNI revela que salário e estabilidade são os fatores mais valorizados pelos trabalhadores brasileiros

Imagem: Adriano Machado/Reuters

 

O salário e a estabilidade financeira continuam sendo os pilares mais cobiçados pelos brasileiros na hora de buscar um emprego. É o que revela uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (5). O levantamento ouviu 2.008 pessoas a partir de 16 anos, abrangendo os 26 estados do país e o Distrito Federal.

De acordo com o estudo, 28,7% dos entrevistados apontaram a remuneração salarial como o principal diferencial na procura por uma vaga. Logo em seguida, os fatores tradicionais e estruturais ganham destaque:

  • Estabilidade no emprego: 22,4%

  • Perspectiva de crescimento na carreira: 20,1%

  • Flexibilidade de horário: 19,3%

Fatores modernos e frequentemente associados às novas rotinas do mercado corporativo tiveram menor peso na preferência nacional. A possibilidade de home office (trabalhar de casa) foi mencionada por apenas 15,9% dos ouvidos, enquanto a jornada de trabalho reduzida foi o foco de 9,8% dos participantes.

“Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada”, analisa Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI.

Preferência pela CLT e o sonho de empreender

A solidez das leis trabalhistas mantém forte apelo popular. Entre as pessoas ocupadas que buscaram novas colocações no mercado, o emprego formal regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi apontado por 36,3% como a oportunidade mais atrativa. Em contrapartida, as vagas de trabalho autônomo por plataformas e aplicativos digitais (como motoristas e entregadores) atraem apenas 10% dos profissionais.

O desejo de independência também ferve no sangue do trabalhador: 13,9% dos entrevistados afirmaram que pretendem abrir o próprio negócio no horizonte de cinco anos. O foco está no empreendedorismo tradicional, como o comércio varejista, o trabalho autônomo e a prestação de serviços de menor complexidade (salões de beleza, bares e restaurantes).

O fantasma da tecnologia e barreiras no mercado

A pesquisa acendeu um sinal amarelo sobre as perspectivas futuras: 43% dos brasileiros não sabem dizer em qual profissão ou ocupação estarão daqui a cinco anos. Essa incerteza é ainda mais profunda entre as gerações mais velhas. A CNI aponta que o ritmo acelerado das inovações tecnológicas gera o receio de obsolescência e dúvidas sobre a capacidade de adaptação às novas ferramentas digitais.

Ao avaliar as maiores pedras no caminho para a ascensão profissional, as respostas apontam falhas estruturais e econômicas:

  1. Falta de vagas qualificadas: 22% reclamam da escassez de empregos com boas condições e salários condizentes;

  2. Falta de experiência prática: 17,6% encontram barreiras nas exigências iniciais das empresas;

  3. Falta de cursos técnicos/qualificação: 16,9% apontam a ausência de capacitação profissional na região onde moram;

  4. Demandas familiares: 16,1% enfrentam dificuldades para conciliar o trabalho com o cuidado de parentes e filhos.

Apesar das queixas quanto às oportunidades do mercado geral, o índice de contentamento interno surpreendeu: 95% dos brasileiros declararam estar satisfeitos com o seu emprego atual, sendo que 70% afirmaram estar "muito satisfeitos" com a atual ocupação.

Via: R7 Brasília

 

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