Desigualdade persistente: Mulheres ganham 21,3% menos que os homens no Brasil, revela relatório

Desigualdade persistente: Mulheres ganham 21,3% menos que os homens no Brasil, revela relatório

Imagem: Mimi Thian/Unsplash

 

Mesmo com o avanço da legislação e o aumento da presença feminina no mercado de trabalho, a diferença salarial entre homens e mulheres no setor privado continua a crescer. Segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens.

O levantamento, que analisou cerca de 53 mil empresas com mais de 100 funcionários, mostra um cenário preocupante: em março de 2024, a diferença era de 19,4%. Agora, dois anos após a sanção da Lei de Igualdade Salarial, o abismo remuneratório atingiu seu maior nível na série histórica.

O Raio-X da Desigualdade

Em termos nominais, a disparidade é gritante. Enquanto a remuneração média mensal dos homens é de R$ 5.039,68, as mulheres recebem apenas R$ 3.965,94.

  • Escolaridade: A diferença é ainda mais acentuada em cargos de nível superior e funções de alta qualificação.

  • Setores: A agropecuária e a indústria concentram as maiores distâncias salariais, enquanto o comércio apresenta índices levemente menores, embora ainda desfavoráveis às mulheres.

  • Raça: O recorte racial revela que as mulheres negras estão na base da pirâmide de renda, recebendo em média R$ 3.026,66 — menos da metade do que ganha um homem não negro (R$ 6.560,02).

[Image comparing average earnings by gender and race in Brazil]

Avanços em Benefícios e Políticas Internas

Apesar dos salários estagnados, o relatório aponta que as empresas estão começando a adotar políticas de apoio à jornada feminina:

  • Auxílio-creche: Saltou de 22,9% para 38,4% das empresas.

  • Jornada Flexível: Hoje é oferecida por 53,9% dos estabelecimentos.

  • Licença Estendida: A adesão à licença-maternidade e paternidade ampliada cresceu para 29,9%.

Impacto Econômico e Lei de Igualdade

De acordo com o MTE, se a participação das mulheres na massa de rendimentos fosse equivalente à sua ocupação no mercado (41,4%), haveria uma injeção de R$ 95,5 bilhões na economia brasileira. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a plena equidade de gênero poderia ampliar o PIB nacional em centenas de bilhões de reais.

A Lei 14.611/2023 obriga empresas com mais de 100 empregados a manterem transparência em seus relatórios e estabelece multas para casos de discriminação. O governo federal mantém o Plano Nacional de Igualdade Salarial até 2027, com o objetivo de intensificar a fiscalização e promover ações de diversidade que garantam "trabalho igual, salário igual".

Via: g1

 

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