Alta dos juros divide desempenho dos grandes bancos e eleva inadimplência no Brasil

Alta dos juros divide desempenho dos grandes bancos e eleva inadimplência no Brasil

Imagem: Ilustração gerada por IA

 

A recente escalada nos juros no Brasil alterou a dinâmica do setor bancário na Bolsa de Valores. Enquanto a alta das taxas encarece o crédito e afeta diretamente o orçamento de famílias e empresas, a consequente inadimplência passou a impactar o balanço das próprias instituições financeiras, dividindo o desempenho dos grandes bancos do país.

Análises dos últimos balanços financeiros revelam que instituições com maior exposição ao varejo, às pequenas empresas e ao agronegócio enfrentaram maior pressão sobre seus lucros. Em contrapartida, bancos que adotaram critérios mais rigorosos na concessão de crédito ou que possuem modelos de negócios focados em investimentos mantiveram resultados resilientes.

Impacto nos bancos de varejo e no agronegócio

Os reflexos da inadimplência atingiram diferentes perfis de instituições financeiras no país:

  • Santander Brasil: No segundo trimestre, registrou lucro líquido gerencial de aproximadamente R$ 3 bilhões, montante 17,6% inferior ao mesmo período do ano anterior. O recuo foi impulsionado pelo avanço da inadimplência para 3,3% nos últimos 12 meses, exigindo R$ 7,65 bilhões em provisões para devedores duvidosos (+11,5%). As ações acumulam queda de cerca de 21% em 2026;

  • Banco do Brasil: Sofreu os impactos do ciclo de endividamento no campo, somado a períodos de seca e à queda no preço das commodities. A inadimplência acima de 90 dias na carteira rural atingiu 6,22% (alta de 3,5 pontos percentuais em um ano). O lucro do primeiro trimestre recuou mais de 50%, somando R$ 4,4 bilhões, o que levou a instituição a revisar para baixo suas projeções anuais;

  • Nubank: Apesar de registrar receita e lucro recordes no primeiro trimestre, viu os atrasos de pagamento entre 15 e 90 dias subirem de 4,11% para 5%, acompanhados por um salto superior a 70% nas provisões anuais. Somado a alterações na gestão executiva, os papéis da fintech acumularam queda de quase 30% em 2026.

Resiliência e diversificação de mercado

Em sentido oposto, Itaú Unibanco e BTG Pactual apresentaram indicadores estáveis na B3:

  • Itaú: Manteve a taxa de inadimplência acima de 90 dias controlada devido à estratégia de priorizar a qualidade da concessão de crédito em detrimento do volume, preservando uma carteira menos vulnerável aos ciclos econômicos;

  • BTG Pactual: Por focar em banco de investimento e gestão de patrimônio — e ter menor exposição ao crédito de varejo —, o banco fechou o primeiro trimestre com lucro recorde de R$ 4,8 bilhões (alta de 42% no ano) e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 26,6%.

A divergência entre os balanços reflete a importância da composição das carteiras em cenários de aperto monetário. Enquanto a taxa Selic permanecer em níveis elevados, a seletividade na concessão de crédito e a diversificação de receita tendem a ditar o ritmo de crescimento do setor financeiro nacional.
Via: CNN Brasil

 

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